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OS PIRATAS DO ROCK (The Boat That Rocked)

Inglaterra / Alemanha / EUA / França, 2009 – 135 min

Comédia

Diretor: Richard Curtis

Roteiro: Richard Curtis

Elenco: Rhys Ifans, Philip Seymour Hoffman, Kenneth Branagh, Bill Nighy, Ralph Brown, Nick Frost, Jack Davenport, January Jones, Chris O´Dowd, Tom Sturridge

O primeiro filme roteirizado e dirigido por Richard Curtis, Simplesmente Amor continua sendo uma de minhas comédias românticas favoritas, tanto pela forma como habilmente teceu inúmeras histórias de amor quanto por uma comédia maravilhosamente divertida. Como já era de se esperar de um homem de seu talento, seu segundo filme tem lampejos de inspiração cômica. Curtis também utiliza muitas das melhores canções de pop e rock da idade de ouro e as utiliza para criar um senso de nostalgia. Ele transmite com precisão o período de 1966-7, e o amor infeccioso da cultura pop.

Mesmo assim, isso deve contar como uma das maiores decepções do ano passado. Assim como em Simplesmente Amor há muitos protagonistas, Rádio Pirata também tem, mas desta vez muitas das histórias e os personagens são clichês e sem inspiração, conflitando com uma narrativa central entre autoridade e liberdade. Mas não basta um ótimo elenco e uma excelente trilha sonora dos anos 60, para segurar um filme onde à trama não-existente, alguns momentos mal julgados de caráter e uma ausência total de risadas.

Rádio Pirata conta a história das tentativas do Primeiro-Ministro (Kenneth Branagh) de extinguir com uma estação de rádio pirata chamada Radio Rock. Conhecemos o barco através dos olhos do ingênuo Carl (Tom Sturridge), que foi expulso de sua escola pública por fumar e usar drogas. Por razões que só sua mãe (Emma Thompson) conhece, ela o envia para uma estadia a bordo do navio da estação pirata coordenada pelo seu padrinho e capitão Quentin (Bill Nighy).

Logo Carl é saudado pelos DJ’s comandos por Quentin, que incluem o viciado de rock americano “The Count” (Philip Seymour Hoffman), o libidinoso Dr. Dave (Nick Frost); o mulherengo Gavin (Rhys Ifans); o romântico Simon (Chris O’Dowd) e Angus (Rhys Darby). Há também o esquecido e barbudo Bob (Ralph Brown), e a única mulher no barco a cozinheira lésbica Felicity (Katherine Parkinson). Um excelente elenco, com um grande potencial que mantêm em suas presenças certo nível de assistibilidade (existe isso?). Seus registros profissionais e atividades lúdicas são apresentados em montagens que estamos regularmente assistindo as vinhetas dos britânicos comuns – enfermeiras, estudantes e casais em parques, em casa ou escondidos – fazerem roda para escutar seus rádios.

Mas toda essa atmosfera de festa alegre entre todos os dj’s onde envolve uma rivalidade amigável, perseguir meninas bonitas e lutar contra a ameaça de encerramento da rádio apenas esconde o principal problema do filme.

Em seu filme de estréia Richard Curtis soube aproveitar e muito bem o tempo de filme para contar a sua história de amor, onde as tramas se entrelaçavam muito bem e seus personagens tinham profundidade e sentimentos. Aqui ele se esquece de dar a Carl ou a qualquer outro personagem alguma coisa semelhante a uma personalidade. Apresentando-nos um roteiro extremamente superficial com uma série de esboços frouxamente ligados e sem inspiração. As mulheres que Curtis nos apresentou em outros filmes como “Um Lugar chamado Nothing Hill“, “Quatro Casamentos e um Funeral” ou “Simplesmente Amor” eram mulheres fortes, aqui são vistas por todos apenas como conquistas sexuais, infiéis e estúpidas. E por mais que uma dessas mulheres se prove moralmente leal, Curtis faz com que seus personagens masculinos dêem de ombros e sigam em frente como se nada tivesse ocorrido. Visivelmente o filme é dedicado às ligações do sexo masculino a uma vida boemia, onde se mostra pouco a quase nada, exceto pelas bebidas e música. “Estes são os melhores dias de nossas vidas!” ruge The Count, lamentavelmente.

E seu conflito central é aborrecidamente escrito de forma ainda mais preguiçosa e desperdiça uma valiosa oportunidade para mostrar o que de real aconteceu sobre o desaparecimento das estações de rádio pirata da época.  Em uma nota similar, o filme subestima completamente as aparições de Arterton, Riley, Emma Thompson, January Jones, e da Bond Girl Gemma Arterton dando-lhes apenas alguns minutos de tela.

Mas no lado do crédito, além de atuações apresentadas mais por entusiasmo do que por convicção, é a música. Faixas originais de Cream, Jimi Hendrix e outros convocam o espectador a escutar o que houve de melhor na época. Mas se basear apenas em boa música não faz um bom filme se for assim basta fazer uma compilação de boas músicas e encaixar ao longo de um filme. Certamente nem o Hugh Grant salvaria este barco do naufrágio.