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ZUMBILÂNDIA (Zombieland)

EUA, 2009 – 88 min

Ação / Comédia / Terror

Direção: Ruben Fleischer

Roteiro: Rhett Reese, Paul Wernick

Elenco: Woody Harrelson, Jesse Eisenberg, Emma Stone, Abigail Breslin

Vamos concordar a maioria dos filmes de terror não são assustadores. Há suas exceções, é claro, mas essas são cada vez mais raras. Acho que o último filme de terror que realmente me assustou foi REC. No entanto, o gênero continua a ser extremamente popular, então qual a melhor maneira de popularizar se não com filmes que reconhecem o potencial cômico dessas situações de horror? Filmes como a trilogia “Evil Dead” de Sam Rami, “Dellamorte, Dellamore” de Michele Soavi, (e o mais óbvio) Shaun of the Dead (me recuso a utilizar aquela esdrúxula tradução) de Edgar Wright, abriram caminho para produções como Zumbilândia. A chave com este filme, como acontece com os outros (e muitos mais como este) é que, embora haja os momentos de “boo!” e gore a comédia sempre triunfa ao horror. Zumbilândia é engraçado – às vezes muito engraçado – e tem um roteiro inteligente. O diretor Ruben Fleischer, faz sua estréia no cinema ao lado dos roteiristas e Rhett Reese e Paul Wernick tem êxito ao realizar o que lhes foi proposto.

Neste terror/comédia/romance/road movie os zumbis são a “nova” raça, o que significa a epidemia há muito varreu o mundo, infectando quase toda a população. Os poucos seres humanos existentes estão distantes uns dos outros. O nosso narrador, “Columbus” (Jesse Eisenberg), que leva o nome da cidade de onde nasceu; antes da praga possuía uma vida geek não muito interativa. Possuidor de várias fobias e um caso de síndrome do intestino irritável, ele tem sobrevivido à era pós-apocalíptica por seguir a uma longa lista de 31 regras criadas por ele – manter-se em boa forma, ter cuidado nos banheiros públicos, nunca hesitar em disparar em um zumbi pela segunda vez, usar sempre o cinto de segurança, não ser um herói, etc. Sempre que Columbus segue uma destas regras, Fleischer prestativamente imprime como um pop-up o número da regra e a descrição na tela para nos lembrar.

Logo Columbus que está em busca de sua família se une ao impulsivo Tallahassee (Woody Harrelson). Um vaqueiro destemido, que está à busca desesperada de bolinhos Twinkies tanto quanto matar os desesperados mortos-vivos que buscam devorar carne humana. Logo eles se encontram suas correspondentes. Duas irmãs oportunistas Wichita (Emma Stone, “Oi Emma, beijo me liga!”) e Little Rock (Abigail Breslin) duas irmãs que usam de suas habilidades e desconfiança para se manterem vivas. Enquanto Little Rock surge como uma filha substituta para Tallahassee, Wichita se torna o interesse romântico de Columbus. Muito do filme se desenrola como uma viagem tradicional ameaçada pelos zumbis, onde quatro indivíduos fazem seu caminho do Texas para a Califórnia, rumo a “terra prometida” (neste caso, um parque de diversões). Ao longo do caminho, eles criam vínculos, aprendem coisas sobre os outros e ocasionalmente, eles têm de lidar com alguns obstáculos… os zumbis.

O ponto alto do filme ocorre quando os heróis chegam a Los Angeles onde além de escapar de um Charlie Chaplin zumbi eles têm um encontro com um astro de Hollywood, interpretando a si mesmo. A piada é perfeita e a atitude/presença dele se encaixa com muita precisão neste cenário. (Peço-lhe, que faça todo o possível para evitar conhecer a identidade desta pessoa de antemão – que inclui orientação clara na página do filme no IMDb e colocando os dedos nos ouvidos e dizendo: “la la la la” quando seus amigos falarem sobre o filme).

Uma coisa que eu aprecio em Zumbilândia é que ele não ignora o conceito de desenvolvimento do caráter. Todos são bem caracterizados, seus personagens tem profundidade e cada um tem seus momentos e investimentos são feitos na criação de laços e relações. Fleischer e seus roteiristas não se atrapalharam como fazem cerca de 90% dos cineastas em comédias de filmes de terror, tornando os personagens pouco mais do que adereços animados. Ruben Fleischer soube manter um bom ritmo divertido e cômico no filme e nunca deixando cair no drama, como no momento contemplativo de Tallahassee ao lembrar-se da perda de um ente querido, ele diz: “eu não chorava assim desde ‘Titanic’.”

Mas infelizmente “Zumbilândia” não é perfeito, como de costume os zumbis são tolos e facilmente abatidos, exclusa a situação em que Columbus se encontra em seu apartamento trancado com sua vizinha zumbi em nenhum outro momento do filme os personagens se encontra em sérios riscos, e sem isso não se cria o clima de tensão e suspense, além de seu terceiro ato o filme perde um pouco do seu vapor, mas nada que diminua a velocidade. É justo também afirmar que Zumbilândia é a versão Hollywoodyana para o clássico “Shaun of the Dead”, mas no final isso não é uma coisa má. Afinal a maior aspiração do filme é fazer você rir, e isso é muito bem executado a base de muito sangue, vísceras e Twinkies.