Tags

, , ,

Baseando-me em uma conversa captada pelo Twitter. Resolvi fazer um texto sobre o meu ponto de vista nas divergências existentes nas adaptações literárias para as telas de cinema.

Quando lemos a noticia de que livro “X” será adaptado para o cinema nossa primeira intenção é (caso não tenhamos lido antes mesmo de anunciarem) ira atrás do dito cujo para termos uma primeira experiência. E talvez aqui comece o erro. Pois as pessoas lêem, vão ao cinema e logo em seguida saem dizendo, (*voz esganiçada de taquara rachada) “o livro é melhor que o filme”.

Não é de hoje que o cinema adapta obras literárias para a grande tela, desde que os irmãos Lumière inventaram o cinematografo (créditos também a Thomas Edison e seu Cinetoscópio), com o intuito de projetar imagens em sequência. Teve a criação do roteiro para que a projeção tivesse uma coerência narrativa e a partir de então a idéia de roteirizar obras literárias pelos seus textos prontos. Os best-sellers são os primeiros visados à adaptação pelo fato de já ter um público e a partir disto acabam uma hora ou outra, nas mãos de um produtor de cinema.

Porém uma adaptação literária não pode ser encarada como uma mera tentativa de tradução textual para as telas de cinema, até porque se trata de duas linguagens distintas. Enquanto num texto há apenas a presença da linguagem verbal para estruturar sua narrativa, no cinema temos a presença não só da linguagem verbal (que pode estar presente na forma de texto como em letreiros, por exemplo, ou na forma de diálogos), como também temos a linguagem visual, sonora e musical.

Ninguém agüentaria assistir a um filme que nada mais é do que um livro filmado. No livro, temos a mensagem por meio das reflexões do narrador ou dos personagens, além de falas e descrições de situações e locais.

Livros não possuem limite de páginas. E cada pessoa tem seu tempo para ler. Mas no filme cabe ao diretor, roteiristas e produtores a árdua missão de condensar a história em um filme de uma hora e meia, duas horas de duração, ou pouco mais que isso, sem perda de conteúdo. No roteiro de uma adaptação é natural ter cortes, para manter uma estrutura lógica que é bem distinta da lógica de um livro. Além de colocar cenas e falas a mais, modificar umas partes, incluir personagens, tirar outros, reinventar e improvisar recursos que possibilitem trazer soluções visuais equivalentes aos recursos estilísticos presentes numa obra literária. Como o próprio nome diz, é um roteiro adaptado, portanto, sua missão é adaptar de uma linguagem gráfica para outra audiovisual.

A adaptação não precisa necessariamente conter tudo que está no livro. Mesmo livros com muita ação têm capítulos monótonos ou vazios. Obras como O Iluminado, Clube da Luta, Psicopata Americano, O Senhor dos Anéis, ou mais recente Onde os Fracos Não Têm Vez (para citar algumas) tiveram seus conteúdos visivelmente alterados pelos diretores, ou por divergências criativas, pois os mesmos não concordavam e achavam que visualmente algumas/muitas cenas não seriam tão impactantes ou naturais (cito O Iluminado). A adaptação requer um planejamento mais exigente do que a criação, pois se trata duma obra passível de confrontos.

Temos de ver também que (infelizmente) cinema envolve dinheiro e por mais que o seu livro favorito não foi adaptado de forma perfeita ele certamente atraiu (ou não) o publico esperado. Martirizar diretores, roteiristas ou produtores e esperar que eles façam algo bom (por exemplo) de uma série de livros de vampiros (assovios e olhar para nenhum ponto em especifico) é o mesmo que acreditar em conto de fadas, mas alguém tem que pagar pelo leite das crianças e eles fazem o filme. E por quê? Pelo material já possuir um publico fiel e que este irá incentivar a venda de ingressos e materiais especiais que irá gerar, e esse retorno financeiro agrada tanto a quem produziu quanto o (a) autor (a) do livro que tem a vendagem do mesmo sempre figurado entre os mais vendidos.

Mas ir ao cinema com o intuito de assistir a uma adaptação literal de um livro é ir pronto a criticar negativamente a experiência cinematográfica. Não quero com isso incentivar a não leitura, muito pelo contrário, espero e gostaria que as pessoas lessem mais e explorassem ainda mais esse vasto universo que está a nossa disposição. Portanto, ao assistir um filme do qual você leu o livro, não tente ver as faltas, mas sim como a obra foi modificada para se adequar às telas. Pense em como seria um filme que se trataria de um retrato fiel ao livro. Cada uma das linguagens pode cumprir muito bem o seu papel, dentro dos seus limites. E lembre-se é a sua imaginação, é o mundo que você criou na sua mente contra a visão de outra pessoa.

PS: A coleção ali em cima é minha!!!