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Hoje eu decidi voltar a escrever.

Não o faço há algum tempo é verdade, um pouco se deve a preguiça, outro pouco ao trabalho e outro pouco as atividades extracurriculares do dia-a-dia.

Mas o porquê de escrever se hoje em dia as pessoas tem preguiça de ler? Generalizo e com razão. Aponte-me num grupo de 30 pessoas, 6 que tenham o costume de ler textos longos ou que mantenham a leitura regular (2 livros por mês). Em tempos de twitter onde toda e qualquer informação é concentrada dentro de míseros 140 caracteres, as pessoas perdem o interesse se aquilo que elas estão visualizando e interpretando não traga/torne o cotidiano dela mais ágil e informativo.

Na teoria vivemos o hoje, mas com o pensamento no dia depois de amanhã. Não nos preocupamos com acidentes ou incidentes que venham ocorrer conosco, muito pelo fato de termos a certeza de que esses infortúnios nunca nos atingiram. Se acontecer com outros é uma lástima, mas a vida segue e como tal não podemos mais perder tempo. Perder tempo. Neste exato momento em que escrevo e você que está a ler, provavelmente esteja gastando seu tempo, mas perdendo…

Se observarmos a evolução (?) da linguagem ao longo da história. Quando visto sob esta perspectiva o chamado padrão culto da língua se torna meio surreal. Veja o caso do termo “você”. Tal pronome começou como um tratamento real em Portugal, vossa mercê (mercê significa graça, concessão), e foi se vulgarizando através dos séculos, transformado em suas colônias, nas fazendas e nos meios mais coloquiais foi se caipirizando (vossamecê, vossancê, voismecê, vancê) até chegar ao atual “você” que por sua vez já se caipirizou na forma de um réles “ocê”.

Mas a estabilidade é aparente, com a tecnológica onda dos messengers, e com a comunicação pela Internet passando por preguiçosas e ágeis digitações, cheias de emoticons e dialeto não teve recurso: o “você” virou “VC” em milhões de diálogos pelo mundo afora.

Os textos irão sempre existir, a leitura sempre será feita, mas de que forma?

Enfim… Se gasto meu tempo escrevendo ou lendo, para alguns estou então perdendo tempo. Mas até onde sei não vou morrer amanhã, pois sei que semana que vêm estréia um filme e mês quê vem é meu aniversário e consequentemente ano que vêm eu vou viajar. Ou seja, morrer. Amanhã? De jeito nenhum. (SPOILER: Marque o texto) Estou sendo irônico!!!

Tudo isso para dizer que “eu voltei, voltei para ficar”. Até quando? Sei lá…