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OS MORTOS ANDAM!

E no amanhecer de um novo dia está frase estará estampada na capa dos principais jornais e noticiários do mundo. Mas por enquanto, os vampiros e os fantasmas é quem devem se preocupar com seu espaço no mercado, pois os Zumbis chegaram e acredite eles estão atrás de você.

No momento em que o “maior” expoente do terror é um vampiro (segundo o crítico de cinema Pablo Villaça, uma fada) que brilha ao se expor ao sol, não há na cultura um ser tão asqueroso e medonho quanto os mortos-vivos. Estes seres estão presentes na nossa mitologia muito antes de serem apenas cadáveres andantes que buscavam sustento a custa de nosso sangue, eles eram apresentados nas formas de outros monstros, como vampiros, múmias ou fantasmas. Mas antes vamos tentar entender exatamente o que é um zumbi ou morto-vivo. Temos de diferenciar entre dois termos comuns usados: mortos-vivos e zumbis.

O Morto-Vivo

1. Já não vivo, mas animado por uma força sobrenatural, como um vampiro ou zumbi.

2. Nem vivo nem morto. Morto-vivo.

Isto significa que criaturas como vampiros podem ser classificados como sendo mortos-vivos, assim como ele classifica zumbis, deixam de ser vivo. Esta é uma boa maneira de pensar de um zumbi, pois a maioria dos zumbis vista nos meios de comunicação tem estas características, mas, infelizmente nem todos os zumbis são mortos-vivos. Existem várias formas através da história de zumbis que não chegam a morrer antes de se tornarem zumbis.

O Zumbi

1-A: poder sobrenatural que, segundo a crença vodu pode reanimar um corpo morto;

B: um cadáver humano, capaz apenas de movimentos automáticos, que é sobrenaturalmente reanimado;

2-A: pessoa detida por assemelharem-se os chamados mortos-vivos, em especial: autômato;

B: uma pessoa estranha na aparência ou no comportamento descompromissado e preguiçoso;

É claro que um zumbi é aquele que perdeu a capacidade de ter vontade própria, recorrendo as funções cognitivas primitivas e fisicamente parecido com morto ou cadáver. Esta é uma boa definição do que um zumbi é, infelizmente, é uma forma muito ampla. Isto significa que existem muitas formas diferentes de zumbis.

Frankenstein‘ de Mary Shelley, por exemplo, embora não seja um romance/livro de zumbi, antecipa muitas idéias sobre zumbis em que a ressurreição dos mortos é retratada como um processo científico ao invés de algo místico, e que os mortos ressuscitados tem seus corpos degradados e são extremamente violentos como se voltassem apenas com seus instintos primários de sobrevivência. Frankenstein, publicado em 1818, tem suas raízes no folclore europeu, cujos contos de mortos vingativos iniciaram também a evolução da concepção moderna dos vampiros, bem como os zumbis.

O MITO DO ZUMBI DE VERDADE

A maioria das pesquisas históricas sobre zumbis indica que eles se originaram, na ilha caribenha do Haiti. O tipo original de zumbis reais são pessoas que foram manipuladas por algum tipo de entorpecente criado por um sacerdote vodu e estes “zumbis” serviam como mão de obra escrava.

O caso mais documentado foi por Dr. Edmund Wade Davis, um célebre antropólogo, etnobotânico, escritor e fotógrafo, cujo trabalho tem incidido sobre as culturas indígenas em todo o mundo, especialmente na América do Norte e do Sul e, particularmente envolvendo as crenças associadas ao uso de plantas psicoativas. Dr. Wade Davis estava intrigado com um homem chamado Clairvius Narcisse um homem que supostamente teria temporariamente se tornado um escravo zumbi e depois de muitos anos recuperado a memória.

O processo descrito por Davis era um estado inicial de morte, como animação suspensa, seguido pelo re-despertar, normalmente depois de ser enterrado, em um estado psicótico. A psicose induzida pela droga e trauma psicológico foi hipótese de Davis para reforçar crenças aprendidas culturalmente e levando o indivíduo a reconstruir sua identidade como a de um zumbi, uma vez que “sabia” que eles estavam mortos, e não tinha outro papel para desempenhar na sociedade haitiana. As vítimas eram alimentadas momentos antes com uma mistura de pele de sapo e carne de baiacu as vitimas logo ficavam com a aparência de mortos, a respiração se tornava lenta e imperceptível, e com os batimentos cardíacos fracos. Devido às condições atmosféricas no Haiti, as pessoas são enterradas logo após a morte, pois o calor e a falta de refrigeração fazem com que o os corpos apodreçam muito rapidamente. Logo após o enterro, o sacerdote tem que desenterrá-los no prazo máximo de oito horas, ou então eles morreriam de forma definitiva de asfixia devido a falta de ar. A pele do sapo também pode matar – especialmente se o sapo se sentir ameaçado antes de ser sacrificado. Existem três principais males no veneno dos sapos – aminas biogênicas, bufotenina e bufotoxinas. Um de seus muitos efeitos é o de um anestésico – muito mais forte que a cocaína.

A outra parte da poção vem do baiacu, que é conhecido no Japão como “FUGO”. Seu veneno é chamado de “tetrodotoxina”, uma neurotoxina mortal. Seu efeito anestésico é 160 mil vezes mais forte que a cocaína. Se o peixe for preparado da forma correta, pode lhe dar um suave “formigamento” físico causado pela tetrodotoxina – e no Japão, os chefs que preparam o baiacu têm que ser licenciadas pelo governo. Mesmo assim, há casos raros de quase-morte ou morte real por comer baiacu. A toxina faz baixar a temperatura corporal e a pressão arterial colocando quem come em coma profundo. No Japão, algumas das vítimas se recuperam alguns dias depois. Voltando para o Haiti, uma vez tendo desenterrado o “zumbi”, o feiticeiro os tornava loucos, forçando-os a se alimentar com uma pasta feita de datura, plantas desse gênero apresentam compostos com propriedades alucinógenas. A datura contém substâncias químicas atropina, hiosciamina e escopolamina, que podem agir como poderosos alucinógenos em doses adequadas. Elas também podem causar perda de memória permanente, paralisia e morte. A pessoa que aplica esses produtos químicos para a vítima tem que ser muito hábil, de modo que eles não morram. Há uma lacuna muito pequena entre o parecer estar morto, e estar morto.

Os “zumbis” estando em estado de semi-permanente delírio psicótico induzido. Eram vendidos às plantações de açúcar como mão de obra escrava. Caso parecem estar a recuperar os sentidos eram alimentados com datura novamente.

Interessou-se? Em 1988 Wes Craven (A Hora do Pesadelo, Pânico, Quadrilha de Sádicos, Aniversário Macabro e outros) filmou ‘A MALDIÇÃO DOS MORTOS-VIVOS‘ (The Serpent and the Rainbow, 1988) filme com Bill Pulman, baseado no livro do Dr. Wade Davis que relata estes acontecimentos.

VOLTANDO A FICÇÃO

O escritor americano H.P. Lovecraft, famoso por suas inexplicáveis criaturas nos contos de Cuthullu, escreveu vários romances que exploravam o tema da ressurreição de mortos a partir de diferentes ângulos. “O Terrível Caso do Doutor Munhoz”, “Fechado na Catacumba/Na Catacumba/A Casa Mortuária“, “A Coisa na Soleira da Porta“, “O Intruso” e “O Modelo de Pickman” são todos relacionados a mortos-vivos ou zumbis. Mas a história que definiu conceitos definitivos sobre zumbis na obra de Lovecraft é “Herbert West – Reanimator“, que o escritor se inspirou na obra de Mary Shelley para criar o roteiro. Na trama Herbert West, um cientista louco tenta reviver cadáveres humanos com resultados mistos.

Notavelmente, os mortos ressuscitados são incontroláveis, primitivos e violentos, embora eles não sejam referidos como zumbis, seu retrato foi previdente, antecipando a concepção moderna de zumbis em várias décadas. Em 1985 Stuart Gordon adaptou para os cinemas o livro, ‘RE-ANIMATOR: À HORA DOS MORTOS-VIVOS‘ (Re-Animator, 1985).

Em 1932, surgiu primeiro filme de zumbis da história do cinema ‘WHITE ZOMBIE’ (White Zombie, 1932). Filmado nos Estados Unidos, com direção de Edward Halperin e Victor Halperin estrelado por Bela Lugosi. Aqui os zumbis são retratados como estúpidos inconscientes e vivem sob o feitiço de um mago do mal. Ainda sob a ótica do vodu, os filmes de zumbis foram inicialmente raros no cinema, mas as suas aparições continuaram esporadicamente durante os anos 1930 a 1960, com filmes notáveis, como “A MORTA VIVA” (I Walked With a Zombie, 1943) e o infame ‘PLANO 9 DO ESPAÇO SIDERAL’ (Plan 9 From Outer Space, 1959).

Daqui a Cem Anos’ (Things to Come, 1936), filme baseado no romance de H.G. Wells, abriu a expectativa de um apocalipse de zumbis como cenário em torno da transmissão e contaminação do vírus por seus portadores, sendo essa uma praga viral altamente contagiosa que causando uma infecção na vitima.

Embora evocasse a essência do vampiro, a publicação de “Eu Sou a Lenda” do autor Richard Matheson em 1954, trouxe ainda mais influência ao gênero zumbi. Na história Los Angeles futurista, é infectada por um vírus que se espalha pelo ar e tornando os seres humanos em zumbis canibais e fotofóbicos. O livro foi e ainda é um sucesso, tanto que foi adaptado para o cinema, não uma, mas três vezes, como ‘MORTOS QUE MATAM’ (The Last Man on Earth, 1964), ‘A ÚLTIMA ESPERANÇA DA TERRA’ (The Omega Man, 1971) e mais atualmente com ‘EU SOU A LENDA’ (I Am Legend, 2007), porém dentre estes apenas o primeiro filme consegue dialogar com o verdadeiro propósito do livro, leia e assista os filmes e entenderá.

Embora na época ‘EU SOU A LENDA‘ tenha sido classificado como uma história de vampiros, para o gênero Zumbi teve um impacto definitivo por meio de George A. Romero. Pois por meio do livro que Romero foi fortemente influenciado e inspirado a escrever o filme ‘A NOITE DOS MORTOS VIVOS‘ (Night of the Living Dead, 1968).

O LEGADO DE GEORGE A. ROMERO


Um pesadelo granulado em preto e branco que mudaria o curso dos filmes de terror para sempre…” – Stephen King.

A NOITE DOS MORTOS-VIVOS‘, virou definição sobre o gênero, indo consagrar se como o mais influente filme no conceito de zumbis do que qualquer obra literária ou cinematográfica antes.

A sinopse é simples, um grupo de sete pessoas se refugia numa casa de campo isolada, cercado por uma legião de mortos-vivos que querem devorá-los.

O filme foi um divisor de águas dentro do horror tradicional mostrado até a época, criando uma atmosfera claustrofóbica e selvagem, Romero “liberta” os zumbis para cumprir o seu dever cívico de morto-vivo e devorar cérebros, tripas, e fibras musculares de seres humanos distraídos. Além de usar os zumbis como um veículo para criticar o mundo real, os males da sociedade, como a inépcia do governo, bioengenharia, a escravidão, a ganância e exploração.

Se quiser pode assistir ao filme na integra aqui.

“Quando não houver mais espaço no inferno, os mortos caminharão sobre a Terra.”

DESPERTAR DOS MORTOS‘ (Dawn of the Dead, 1978) a meu ver é um dos poucos filmes que consegue ser igual em maestria ao primeiro filme. Na história de ‘DESPERTAR DOS MORTOS‘, o mundo já está tomado pelos mortos vivos e existem poucos sobreviventes isolados em grupos tentando lutar por suas vidas. Um desses grupos é formado pelo casal Francine (uma repórter de TV interpretada por Gaylen Ross) e Steven (um piloto de helicóptero feito por David Emge), e por mais dois policiais de elite que tentavam combater uma legião de zumbis que invadiram um condomínio residencial, Roger (Scott H. Reiniger) e Peter (Ken Foree).

Eles fogem juntos num helicóptero roubado procurando um local seguro para ficarem, e decidem aterrissar no alto de um shopping center abandonado onde se instalam permanecendo isolados dos zumbis, e desfrutando dos confortos disponibilizados pelas belas lojas. Porém, eles despertam inevitavelmente a atenção de um enorme exército de mortos-vivos, cujas lembranças em vida dos constantes passeios de compras ao shopping os levaram instintivamente a tentarem invadir o enorme centro comercial, vagando desorientados por seus corredores à procura de carne humana fresca (numa crítica social pertinente do cineasta George Romero). Mas este filme ficou famoso também por uma das maiores confusões de títulos de filmes da história do cinema.

Enquanto nos EUA, Romero lançava ‘DESPERTAR DOS MORTOS’ na Itália Lucio Fulci rapidamente lançou o nojento ‘Zombie‘ (Zombie, 1979). Porém o filme NÃO é uma sequência de ‘DESPERTAR DOS MORTOS‘, mas o problema foi que na Europa, ‘DESPERTAR DOS MORTOS‘ foi distribuído sob o nome de ‘ZOMBIE‘ e nos EUA o filme de Fulci foi distribuído com o título de ‘Zombi II‘ isso para não gerar confusão entre os espectadores. E esta é a única semelhança entre os filmes, pois o filme italiano é caótico e de uma violência sem noção, tanto que católicos estavam desgraçando o filme e os donos das salas de cinema distribuindo sacos de vômito para amenizar o pandemônio.

DIA DOS MORTOS‘ (Day of the Dead, 1985) é o início do declínio. Após lançar duas obras de arte, Romero decide dar sequência a seus queridos devoradores de carne humana. No enredo, os mortos-vivos dominaram a Terra e apenas um pequeno grupo de humanos conseguiu resistir. Estes sobreviventes, entre soldados e cientistas, refugiaram-se em um abrigo militar subterrâneo, mas a situação está cada vez mais crítica: o estoque de alimentos está baixando e a munição e os medicamentos estão cada vez mais escassos. A sobrevivência deles só poderá ser garantida se eles conseguirem chegar a um refúgio distante e inacessível, além de descobrir se há uma forma de combater os mortos-vivos, e os mandar de volta a suas sepulturas. A solução talvez esteja nas pesquisas do Dr.Logan, um excêntrico cientista. Contudo, a tensão entre civis e militares fica insustentável e as criaturas estão cada vez mais perto de invadir a base. O resultado é o mais negro dos dias de horror que o mundo já conheceu.

Por mais que o filme não tenha o brilhantismo dos anteriores, Romero ainda consegue ser controverso e perverso com a humanidade.

Após 20 anos afastado dos túmulos, Romero decide retomar a franquia trazendo consigo ‘A TERRA DOS MORTOS‘ (Land of the Dead, 2005) o quarto filme da série segue a linha dos episódios anteriores quanto ao seu argumento básico, ou seja, uma mensagem pessimista do futuro da humanidade, que luta com as últimas forças pela sobrevivência num mundo caótico dominado por uma legião de mortos vivos carnívoros. Porém, uma diferença notável é que agora, além de serem violentos e comedores de carne humana, os zumbis estão evoluindo e conseguindo encontrar formas de se comunicarem e organizarem, mesmo que precariamente, tornando-se cada vez mais ameaçadores para os últimos sobreviventes da raça humana.

Se em ‘DESPERTAR DOS MORTOS‘ percebemos no argumento uma crítica social contra o consumismo desenfreado da sociedade, e em ‘DIA DOS MORTOS‘ observamos um alerta sobre a intransigência militar, agora em ‘TERRA DOS MORTOS‘ a história evidencia uma imensa diferença de classes sociais, com os ricos vivendo num prédio luxuoso cercado de mordomias e mais distantes da ameaça dos zumbis, e o resto da população pobre lutando pelas sobras e migalhas numa cidade dominada pela violência urbana, jogos e vícios.

Eis que em 2007, Romero deixa de lado a ‘Quadrilogia dos Mortos’ (Noite, Despertar, Dia e Terra) e cria ‘DIÁRIO DOS MORTOS’ (Diary of the Dead, 2007), a idéia até era boa. Mas vários problemas saltam aos olhos. Trata-se, por exemplo, do filme de zumbis mais convencional e burocrático assinado por Romero, com uma série de defeitos que não permitiam ver, ali, aquele cineasta veterano que havia dado preciosas contribuições anteriores ao cinema de horror. Afinal, ’DIÁRIO DOS MORTOS’ tinha tudo que não havia (ou havia em doses bem reduzidas) nas outras histórias de zumbis do diretor: irritantes personagens adolescentes, roteiro fraco e sem situações novas, humor deslocado, e a velha crítica social sendo esfregada na cara do espectador de maneira exagerada e nada sutil. Além disso, A forma adotada por Romero para filmar é a idéia utilizada no falso documentário, o imortalizado em ‘A BRUXA DE BLAIR’ (The Blair Witch Project, 1999), ou ‘CANNIBAL HOLOCAUST’ (Cannibal Holocaust, 1980), enfraquecida pelo lançamento, antes ou na mesma época, de produções independentes que foram mais bem sucedidas ao usar o mesmo recurso – o inglês ‘THE ZOMBIES DIARIES’ (The Zombies Diaries, 2006) e o espanhol ‘[REC]‘ ([REC], 2007). A trama acompanha um grupo de estudantes de cinema que está fazendo um filme de terror como projeto de conclusão de curso. Durante as filmagens, os jornais de todo o mundo começam a noticiar que cadáveres simplesmente se levantaram e começaram a atacar os vivos. Apavorados, o grupo decide pegar a estrada para as suas respectivas casas, mas um dos estudantes decide filmar toda a jornada em um formato de documentário.

Então quando todos pensavam que o ciclo de Romero já havia terminado o Senhor simpático de óculos grandes (por que cineastas gostam de usar óculos com armações maiores que a cara? Woody Allen, Scorcese, George A. Romero?) em menos de um ano resolve trazer ao mundo sua última realização ‘A ILHA DOS MORTOS‘ (Survival of the Dead, 2009) que também não trazia qualquer referência ao quadrilogia inicial, percebia-se que não havia nem mesmo um argumento decente pelo título inicial do projeto, que era simplesmente ‘…of the Dead’, ou seja, as reticências já mostravam o real significado do filme, qualquer coisa dos mortos, e é isso que o filme é no mundo dos mortos, qualquer coisa.

Sempre criando um debate moral, ‘A ILHA DOS MORTOS’ envolve dois grupos de humanos com ideologias diferentes. Uns defendem que os zumbis devem ser todos eliminados, erradicados, porque são um perigo e uma ofensa moral ao descanso dos mortos. Outros defendem que devem ser mantidos vivos e ensinados a comer apenas animais, porque Deus proíbe o homicídio e os zumbis estão, à sua maneira, vivos. Romero debate moral, eutanásia, suicídios e acima de tudo, explora a teimosia humana através dos dois protagonistas, dois velhos rabugentos de lados opostos desta barricada moral.

Enfim, o que sobra aqui é um filme de zumbis que diverte pelo bizonho, e que consegue manter a atenção até o final sem dar raiva. Mas isso é pouco, muito pouco perto do que se espera de uma obra assinada por George A. Romero, e não traz absolutamente nada de novo em relação à infinidade de histórias sobre mortos-vivos já narradas até aqui pelo seu diretor – ou por seus imitadores – de maneira melhor e mais eficiente nos últimos anos.

OS ZUMBIS FORA DO UNIVERSO DE ROMERO:

O MELHOR, O PIOR E O QUE ESTÁ POR VIR…

Como disse anteriormente, Romero trouxe a vida e agora está levando os Zumbis de volta ao cemitério para que esses possam descansar em paz, mas há pessoas talentosas que não querem deixar isso acontecer.

Durante a década de 70 e 80 os zumbis viraram filmes bons como o já comentado ‘RE-ANIMATOR‘ e o razoável ‘A MALDIÇÃO DOS MORTOS-VIVOS‘, porém o tema também virou sinônimo de piada pela trilogia ‘A VOLTA DOS MORTOS-VIVOS‘ (The Return of the Living Dead, 1985, 1988 e 1993) que mostrou cadáveres que pensavam, falavam e eram maníacos por cérebros. Na metade da década de 80 com o desgaste causado por filmes menores, o gênero foi entregue ao cinema underground e perdeu seu espaço, mas ainda encontrava forças nas mãos de jovens cineastas, e coisas boas e interessantes foram feitas, como ‘FOME ANIMAL‘ (Braindead, 1992) filme-b dirigido pelo oscarizado Peter Jackson e ‘DELLAMORTE DELLAMORE‘ (Dellamorte Dellamore, 1994) de Michele Soavi (lançado nos EUA como ‘Cemetery Man‘). Mas estes acabaram ficando apenas no circuito independente e acabaram-se tornando clássicos Cult.

Mas a trilha de sangue, tripas e gemidos asquerosos não foi feita apenas com brilhantismo. Como até então o gênero não conseguia chamar a atenção da mídia, o negócio era fazer filme de forma independente, mas isso não quer dizer que tenha surgido bons filmes. Filmes como ‘A NOITE DOS MORTOS VIVOS 3D’ (Night of the Living Dead 3D, 2006) de Jeff Broadstreet, a adaptação de ‘HOUSE OF THE DEAD’ (House of the Dead, 2003) o fato de Uwe Boll ser o pior diretor que existe atualmente, é muito crédito de ‘HOUSE OF THE DEAD’ e ‘ALONE IN THE DARK’ (Alone in the Dark, 2005). O roteiro baseado em um jogo de vídeo game é ridículo, as atuações são as fracas e os efeitos acompanham o resto. O que “talvez” salve o filme é a nudez ocasional de mulheres bonitinhas entre elas Érica Durance. Mas Uwe Boll só não está no trono sozinho, pois a continuação ‘HOUSE OF THE DEAD 2: DEAD AIM’ (House of the Dead 2: Dead Aim, 2005) foi dirigida por Michael Hurts, que assumiu o filme porque Uwe Boll estava dirigindo a adaptação de ‘BLOODRAYNE’ (BloodRayne, 2005), ambos são exemplos de como não se fazer um filme.

Ellory Elkayem, também entrou para os anais de filmes ruins de zumbis ao trazer a franquia ‘A VOLTA DOS MORTOS-VIVOS‘, porém a proeza dele não foi fazer um filme ruim de zumbis, ele fez DOIS filmes ruins e NO MESMO ANO! ‘A VOLTA DOS MORTOS-VIVOS: NECRÓPOLIS‘ (Return of the Living Dead: Necropolis, 2005) e a sequência ‘A VOLTA DOS MORTOS-VIVOS: RAVE‘ (Return of the Living Dead: Rave to the Grave).

Mas por mais que filmes ruins tenham surgido, a virada do milênio provou ser o jazigo dos ossos de ouro para os mortos-vivos. Com o sucesso da série de jogos o cineasta Paul W. S. Anderson resolveu trazer para as telas a livre adaptação da série para as telas e eis em 2002 estréia ‘RESIDENT EVIL – O HOSPEDEIRO MALDITO‘ (Resident Evil, 2002) e suas continuações cada vez mais livres e fora do contexto do jogo, ‘RESIDENT EVIL 2 – APOCALIPSE‘ (Resident Evil – Apocalypse, 2004), ‘RESIDENT EVIL 3 – A EXTINÇÃO’ (Resident Evil: Extinction, 2007) e ‘RESIDENT EVIL 4 – RECOMEÇO’ (Resident Evil: After Life). Por pior que fossem os filmes, eles fizeram muito sucesso e obtiveram boas arrecadações tanto no cinema quanto no mercado home vídeo.

Mas foram os britânicos que souberam como dar uma nova roupagem aos seres devoradores de carne. Em 2002, Danny Boyle mostra que os zumbis voltaram de seus túmulos com algo além da fome, a vontade de correr. ‘EXTERMÍNIO‘ (28 Days Later, 2002) mostra uma Londres devastada por um acidente biológico e quase todas as pessoas viraram canibais, ok, não há nada de novo até então, mas antes era dar uma leve corrida sem muito esforço que você estava a salvo, mas agora o bicho pega, e se não cuida tu nem percebe que ele te pego!!! Pois os animais correm, mas correm feito cachorro atrás do bandido e o pior, eles NÃO CANSAM!

O filme fez tanto sucesso que a sua sequência foi programada e em 2007 chega as telas ‘EXTERMÍNIO 2‘ (28 Weeks Later, 2007), porém Danny Boyle volta apenas como produtor executivo e trouxe para a cadeira de diretor Juan Carlos Fresnadillo do bom ‘INTACTO‘ (Intacto, 2001). Na trama o governo britânico está tentando se reestruturar tanto física quando economicamente, reajustando os sobreviventes em uma cidade sem infectados.

Do berço da ironia veio também uma das melhores comédias de todos os tempos e a melhor homenagem aos filmes de zumbis, ‘TODO MUNDO QUASE MORTO‘ (Shaun of the Dead, 2004) dirigido pelo estreante Edgar Wright. Antes desta obra, o diretor e seu astro e co-roteirista Simon Pegg trabalharam juntos em um sitcom de sucesso na TV inglesa, chamada ‘SPACED’, exibida entre 1999 e 2001, onde Pegg era o astro. No seriado, que era escrito pelo próprio ator e sua parceira de programa (a atriz Jessica Stevenson), não faltavam citações e brincadeiras com filmes como a trilogia ‘STAR WARS’, ‘O ILUMINADO’ e outros. Em certo episódio, resolveram parodiar ‘RESIDENT EVIL’. E foi aí que surgiu a idéia de fazer um filme de zumbis misturado com comédia, porque tanto Wright quanto Pegg eram grandes fãs adivinhe de quem? Dos filmes de George Romero.

No filme Shaun (Simon Pegg) é um cara comum sem grandes pretensões na vida que após levar o fora de sua namorada Liz percebe o quão importante ela é para ele. Mas agora para reatar com ela ele terá de salva-lá de uma horda de mortos-vivos que dominou Londres da noite para o dia. Se você se diz ser cinéfilo ou que gosta do filmes de zumbis e nunca assistiu a este filme, só digo uma coisa a você. VOCÊ É UM HEREGE QUE NÃO MERECE A VIDA QUE TEM!!! Agora se você não é um cinéfilo e só gosta de assistir a um filme ocasionalmente, mas mesmo assim não assistiu a este filme eu tenho uma coisa a dizer a você também. VOCÊ É UM HEREGE QUE NÃO MERECE A VIDA QUE TEM!!!


E desde então a produção de filmes com o tema Zumbis, vem crescendo em forma assustadora e cada vez mais trazendo um novo campo e uma nova atmosfera para esses seres. Filmes como o remeke de ‘MADRUGADA DOS MORTOS‘ (Dawn of the Dead, 2004) dirigido pelo visionário estreante e pouco conhecido Zack Snyder, pessoalmente, eu detesto remakes e acho que a grande maioria não tem utilidade, porém este soube explorar muito bem alguns pontos que seu antecessor deixou passar, dar uma nova roupagem aos zumbis, aqui novamente os zumbis correm e muito!!! Outra mudança que o milênio trouxe para os zumbis foi a sua força atlética, a velocidade média dos zumbis cresce exponencialmente a cada filme novo de mortos-vivos.

De 2006 também vem um excelente filme, porém esquecido por muitos, o nojento ‘SERES RASTEJANTES‘ (Slither, 2006) dirigido pelo roteirista do remake de ‘MADRUGADA DOS MORTOSJames Gunn, que mostra uma visão diferente de infecção, a de uma raça criada através de um ser rastejante vindo do espaço. Do Canadá vêm ‘FIDO‘ (Fido, 2006), que traz os desmortos como animais de estimação.

No projeto em parceria entre Robert Rodriguez e Quentin Tarantino, chamado ‘GRINDHOUSE‘ (Grindhouse, 2007), que visava trazer as sessões grindhouse de volta aos cinemas, essas sessões apresentavam dois filmes trash de baixo orçamento, (o orçamento em algumas ocasiões era tão baixo que faltavam rolos de filmes), porém o projeto não deu certo e os filmes foram divididos, mas uma das sequências, a filmada por Robert Rodriguez é a que melhor representa esse movimento, ‘PLANETA TERROR‘ (Planet Terror, 2007) que mostra uma cidade ser devastada por uma horda de zumbis e um grupo de pessoas tem de buscar sobreviver, entre eles está uma stripper com uma metralhadora no lugar da perna. Quem não considerar isso no mínimo genial tem alguns parafusos frouxos na cabeça.

De 2007 vem também um excelente filme, claustrofóbico, amedrontador, e filmado com câmera na mão, o crítico de cinema Pablo Villaça avaliou o filme da seguinte forma: “…o terror espanhol [REC] é um esforço que impressiona pelo ritmo, pelas atuações, pela intensidade e pela excepcional edição de som, revelando-se sempre tenso e, nos melhores momentos, absolutamente assustador.” ‘[REC]’ ([REC], 2007) teve sua sequencia lançada nos cinemas este ano porém o resultado não foi dos melhores ‘[REC] 2‘ ([REC] 2, 2009) dividiu opiniões, algumas gostaram outras detestaram, no entanto os diretores da franquia Paco Plaza e Jaume Balagueró já confirmaram o terceiro filme para 2011, é esperar para ver. Mas como os EUA sofre com um crescente aumento de analfabetismo, o remake do filme foi feito, ‘QUARENTENA‘ (Quarantine, 2008) dirigido por John Erick Dowdle e trazia em seu elenco rostos conhecidos do público como a atriz da série ‘DEXTERJennifer Carpenter entre outros, o filme nada mais era que um jogo de encontre os erros.

O Brasil não fica para traz na produção de filmes sobre o tema. ‘MANGUE NEGRO‘ (Mangue Negro, 2008) O trabalho do capixaba Rodrigo Aragão é um filme de zumbis que se passa nos manguezais do Espírito Santo. O site ‘Boca do Inferno‘ definiu o filme da seguinte forma: “Sem delongas e sem muita enrolação, MANGUE NEGRO, filme de zumbis orgulhosamente 100% nacional, é o novo clássico dos clássicos do cinema independente brasileiro. Em outras palavras, é o filme que todo cineasta independente quer fazer quando crescer, e lançou um novo patamar de qualidade para o horror nacional moderno.” Outro filme nacional que se conseguiu seu lugar ao sol é o gaucho (Bairrismo [Mode On]) ‘PORTO DOS MORTOS‘ (Porto dos Mortos, 2010) escrito e dirigido por Davi de Oliveira Pinheiro (que divide a produção com Isidoro B. Guggiana), segundo a sinópse, o filme acompanha Lockheart, um policial durão que está obcecado por encontrar Adam, um demoníaco serial killer que precisa ser capturado a qualquer custo. Mas Lockheart terá uma difícil trajetória ao longo de sua caçada… Estamos em uma Porto Alegre devastada e infestada por zumbis que procuram suas presas e vorazmente parecem farejar sangue, carne e medo. Nessa busca pelo horrendo assassino, Lockheart arriscará a própria pele num combate contra o seu rival e contra aqueles que alheios à caçada pessoal do policial desejam sua carcaça por instinto de sobrevivência!

E o sucesso só tende a aumentar, pois ‘ZUMBILÂNDIA‘ (Zombieland, 2009) está ai para provar, foi o filme de zumbi que mais arrecadou em tempos, e sua sequencia já está agendada para 2012. Outros filmes estão por vir e já estão gerando grande expectativa são ‘GUERRA MUNDIAL Z‘ (World War Z, 2011) dirigido por Marc Foster e ‘ORGULHO E PRECONCEITO E ZUMBIS‘ (Pride and Perjudice and Zombies, 2012) que está em pré-produção, mas a protagonista já está definida, será Natalie Portman que também trabalha como produtora do filme.

ZUMBIS EM OUTRAS MIDIAS

Não é só no cinema que os mortos-vivos fazem a festa, aproveitando a baixa e fraca produção de material em decomposição decente na época, a Capcom lança um jogo que revolucionou o mercado de empregadas e a forma de fazer faxina em casas, escritórios e em outros lugares. Estou falando da franquia ‘Resident Evil‘. Com a trama centrada em um grupo de agentes que são pegos em uma emboscada na floresta de Raccon City, eles vão parar em uma mansão onde criaturas que rastejam e produzem gemidos assustadores se encontram onde menos se espera. O sucesso entre os gamers foi tamanho que a franquia está em seu 8º jogo e não parece estar perto de ter um fim.

Outros jogos chegaram e trouxeram a emoção de enfrentar a epidemia de zumbis, ‘Left4Dead‘ trouxe a experiência de enfrentar os mortos-vivos em primeira pessoa e jogar em rede com outros “sobreviventes” e ‘Rising Dead‘ que você tem de salvar sua filha e outros sobreviventes que estão presos um determinados pontos da cidade, a diversão está em matar os zumbis com o que estiver a sua frente, seja isso uma espingarda ou uma cabeça de alce gigante. A trama de ambos é igual a tudo que se falou até aqui, amoral é que quanto mais você matar, mais você se divertirá. 😀

Na literatura temos os já citados contos de Lovecraft. O famoso escritor Stephen King também se aventurou algumas vezes pelo tema, como em ‘Cemitério Maldito‘ (Pet Sematary, 1983) e mais recentemente em ‘Celular‘ (Cell, 2006).

Max Brooks, filho do diretor e roteirista Mel Brooks, trouxe ‘O Guia de Sobrevivência a Zumbis‘ um livro que reúne todas as informações uteis e um catálogo muito amplo de tudo que se deve e o que não se deve fazer em caso de uma infecção de zumbis. Também é dele a obra que futuramente estará estreando nas telas ‘Guerra Mundial Z‘ que conta com a direção do experiente Marc Foster e pode ter como protagonista Brad Pitt. O livro traz um fictício relatório da ONU fornece um relato factual autorizado de tudo o que aconteceu, nesta obra, de um dos principais autores e investigadores que contribuíram para esse relatório, estão os testemunhos, feitos na primeira pessoa, dos que viveram o surto de epidemia/pandemia e que revelam o terrível custo humano deste conflito.

Do doutor Kwng Jingshu, o médico chinês que examinou o “Paciente Zero”, a Paul Redeker, o muito controverso autor do Plano Laranja, Brooks falou com mais protagonistas fundamentais da guerra dos Zombies do que qualquer outra pessoa. Ao longo deste livro, o autor revela a extensão integral das transformações sociais e políticas a que o surto deu origem. A natureza perturbadora destes relatos exige ao leitor alguma coragem. Mas, como diz Brooks, não podemos esconder-nos por detrás das estatísticas entorpecedoras dos relatórios oficiais. Chegou à altura de encarar o verdadeiro horror que foi a guerra dos Zumbis.

Outra forma de trazer os mortos-vivos para os clássicos da literatura foi adaptá-los para um contexto mais adverso foi o que o escritor Seth Grahame-Smith fez. Co-autor dos romances ‘Orgulho e Preconceito e Zumbis‘, ‘Razão e Sentimento e Monstros do Mar‘ e ‘Abraham Lincon, caçador de Vampiros‘ este último escrito por ele mesmo, entre outros títulos.

Os desmortos estão cada vez mais em evidência pelo mundo, tano que eles invadiram o Japão, o mangá ‘High School of the Dead‘ foi um sucesso tão absurdo no país que uma série em animação foi produzida. ‘High School of the Dead’ traz tudo àquilo que os animes japoneses tem de bom, mortes, violência e japonesas peitudas em vestido de colegial.

Dos quadrinhos vem à série que melhor soube abordar o tema dos Zumbis para um contexto mais humano e político, estou falando de ‘Os Mortos-Vivos‘ escrita pelo premiado Robert Kirkman. A história narra à viagem de um grupo de pessoas tentando sobreviver em um mundo atingido por um apocalipse zumbi. E é muito por causa desta série que resolvi fazer este texto.

A emissora AMC é a responsável pela adaptação da série de quadrinhos de ‘The Walking Dead‘, tendo Frank Darabont (Um Sonho de Liberdade, À Espera de Um Milagre) e Gale Anne Hurd atuando como produtores executivos e Darabont escrevendo e dirigindo o episódio piloto. A primeira temporada foi aprovada tendo como base apenas a força do material de origem, os roteiros e o envolvimento de Darabont na série a temporada terá 13 episódios. ‘The Walking Dead‘ é centrada em Rick Grimes, um oficial da polícia pequena cidade de Cynthiana,no estado do Kentucky, sua família e uma série de outros sobreviventes que se uniram para manter-se depois que o mundo foi infestado por zumbis. Com o progresso da série, as personagens tornam-se mais desenvolvidas e suas personalidades são demonstradas sob a tensão de um apocalipse zumbi, especialmente a de Rick. A série vai ao ar dia 31 de outubro e o piloto terá 90 minutos de duração.

SOCIALMENTE FALANDO

No mundo há muita gente que gosta do tema e resolveram criar a ‘Zombie Walk‘ uma passeata onde pessoas se figuram como zumbis e saem às ruas se perfazendo de mortos-vivos, muitas vezes gerando o caos (literalmente) na população.

Muitas cidades participam deste movimento, de uma pesquisada no google e descubra se há data de uma zombie walk na sua cidade.

Como eu disse, os mortos estão à solta e estão com fome. Muita fome…

Vai ser preciso muito mais que uma fada pra acabar com essa horda. Deixem as armas e tragam os cânones.