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Olá pessoas cujo sentido da vida resume-se a viver. Como estão vossas estruturas físicas? Estou aqui para relatar mais alguns detalhes sobre minha sobrevivência em um outro país e por que não dizer continente.

No relato anterior havia terminado de descrever como havia sido a aterrissagem que quase consumou com a vida deste que vós escreve. Dando continuidade, o desembarque foi tranquilo mas não menos tenso que que o pouso, no centro de imigração Irlandês havia um sujeito muito mal encarado que estava complicando o ingresso de algumas pessoas, logo quase todos os brasileiros que se encontravam na fila deste ditador estavam migrando para outras cabinas. Passado mais este estresse estava na hora de conhecer o aposento que iria chamar de lar pelo prazo de 2 semanas.

Após o motorista se perder entre ruas, vielas e escolas chego a meu destino, uma casa simples situada a léguas da escola, a aproximadamente 35 minutos de ônibus.

Fui recepcionado por uma senhorita (não sei se ela é casada ou tem namorado mas vamos deixar assim pois ela não era velha devia ter por volta de seus 30 e pouquinhos…) chamada Emma. Pessoa legal, foi direto ao assunto: “Your name is Gustavo, right? Do you speak English? Ok, so I’m going to teach how to get to your school. Go here, do this, take this bus, get off here, walk straight ahead, turn right and here it is. Ok? Understand? So there is a mall here, and there are a market, if you go fast you can buy some stuff to you eat. Ok? Here is the keys of the house, opens this way, close this way. Ok? So, you understand all of it. See you in a few weeks. Bye.” Se houver algum erro por favor me corrijam.

Simples assim e se foi como o vento. Me encontrava só em uma casa desconhecida, sem comida, sem internet, sem porra (desculpe o palavrão) nenhuma. E lá foi este ser bípede caminhar pelas ruas geladas de Dublin 13. Um dado curioso, aqui não há CEP as áreas são delimitadas por números onde Dublin 1 é o centro e dai se espalha para as demais localidades. Também há um rio que separa a cidade em par e impar. Continuando…

Como qualquer mercado há uma cesta de compras e há mercadorias para se comprar. Os itens comprados foram: um melão, massa, 6 maças, laminas para barbear, creme pra barbear, 1cacho de bananas com 12 bananas e uma barra de chocolate amargo. Num total de €13.

ao retornar encontro outra pessoa dentro da casa, seria um assaltante, um serial killer, um assassino contratado exclusivamente para me executar? Não, seu nome é David. Um cara muito legal, ele cuida da casa na ausência dos donos. Ele estava fazendo sopa e perguntou se gostaria de um pouco, na duvida se estava envenenada ou não decidi correr risco de morte e provei da sopa. Estava boa, mas havia carne, no final tive de separar, nada demais, conversa vai conversa vem estava com sono e precisava de uma noite decente de sono. David foi embora e disse que voltaria na outra noite para cercar estava tudo em ordem na casa. Assim fui dormir.

No meu segundo dia resolvi descobrir aonde se encontrava a maldita escola. Peguei o ônibus e me sentei (dica: se um dia vier a Dublin tenha moedas, muitas moedas no bolso você ira precisar, acredite.), chegando no centro a primeira visão é de uma lança gigante cravada no chão, como se um transformer estivesse disfarçado de lança e esperando a hora de atacar.

Andando pelas ruas e lojas da cidade, conheci uma cidade semelhante a Porto Alegre na sua estrutura física, mas geometricamente muito mais atraente e histórica que a capital gaúcha.

Aqui cada loja vende produtos específicos, não vá pensando em ir na loja tal para comprar isso, aquilo e aquele outro que você se dará mal. Caminhando se encontra bons preços e boas promoções, mas tenha sempre uma sacola em mãos pois aqui se paga por sacola. E acho que esta medida também deveria ser adotada no País cuja origem pertenço.

Perdido em meio as ruas encontro um cidadão falando ao telefone, seu nome é Raphael Silva estava junto comigo no fadigado voo. Conversando é que se entende ele me convida para uma feijoada em um restaurante de comida brasileira. Sim ainda não havia abandonado minhas raízes.

Após andar um pouco mais resolvo tomar o dia por encerrado e retornar para meu hábitat momentâneo e encontrar David fazendo outra sopa… Hooo beleza.

Segundo dia encerrado, estava programando o que fazer no terceiro. Sem muita escolha, pega-se o ônibus, vai para o centro, caminha, caminha, caminha, come, caminha mais um pouco entrei na Forbidden Planet (\o/) e me deslumbrei com um mundo que sempre pensei em conhecer. Cintrolando meu ímpeto consumista quis levar tudo, mas não comprei nada, sim eu sou muito foda. Mas não vou embora sem levar algo… Fraco.

Ao retornar de mais um dia na terra do Leprechan, encontro a casa com novos moradores. Humberto e Victor dois paulistas um São Paulino roxo (ou seria rosa?) com excelente gosto musical e outro Corintiano tranquilo (esta aí uma palavra que não se aplica a torcedores do corinthians) com um gosto muito pouco agradável do sertanojo universitário. Mas no mais são pessoas cujo comportamento e convívio é calmo e pacifico.

Após indas e vidas, aulas e caminhadas, passeios e compras os verdadeiros donos da residência chegaram de viagem para estragar meu (até então) perfeito paraíso. A senhora Kate coordena tudo, o marido, dita as regras da casa, o que pode e o que não pode, quem come e quem não come, o que funciona e o que não funciona, logo nada de sexo para você Senhor Patrick e para o senhor Gustavo “ONLY BED, NO FOOD”, isso mesmo que vocês entenderam, estava proibido de fazer comida e de me alimentar na residência, minha estrutura física estava começando a ficar severamente comprometida, o que iria eu fazer? Era lei da selva manda quem tem força obedece quem tiver a decência de saber obedecer. Encontrar uma moradia se tornou prioridade máxima e a semana já se encontrava na metade, o que fazer? Ha quem recorrer? Oh céus, oh vida… [risos]

Após inumeros lugares planejados e investigados a casa “ideal” se encontrava na rua Benburb Street, no distrito de Smithfield em Dublin 7. Junto de mais três indivíduos, um do sexo masculino (Humbero) e duas fêmeas (Michele e Paola). Pessoas essas de convivência tranquila, mas que notóriamente sentem-se levemente incomodadas com minhas diárias crises depressivas e silenciosas . Sou assim pessoas, não se preocupem, não vou pegar nenhuma faca afiada (até por que não tem) e matar vocês enquanto dormem, não irei ligar o fogão e deixar o gás vazar para explodir a casa pois também não há, o fogão é elétrico, não poderei pendurar uma corda no teto e enforca-los pois as paredes são mais finas que papel de ceda e sua acustica permite escutar o ranger do colchão do vizinho, não poderei atirar nenhum de vocês pela janela pois moramos no terceiro andar e o máximo que isso causaria seria algumas escoriações e talvez algum osso quebrado, portanto, relaxem.

Mas também nem tudo é perfeito, como esse é um mundo das diferenças, neste caso (novamente) a diferença sou eu. Convivo com três carnívoros que cultuam a carne como um bem divino, logo ou me adapto ou como só arroz. Seguindo meus princípios, fico só com o arroz. Estou dizendo, é mais fácil fazer uma árvore virar lápis que me corromper. E digo isso em todos os sentidos.

Continuando as imperfeições deste mundo, aqui tudo depende do correio e este funciona igual a idade da pedra, as correspondências só não são entregues por dinossauros pois estes estão extintos, mas demora. E como demora, Esperar pelo PPS (algo similar ao nosso CPF, precisa-se disso para arranjar trabalho), o cartão do banco, senhas, enfim, todo o necessário para adquirir o visto encontra-se em poder dos correios. A espera é longa e cansativa logo sentar e esperar é algo corriqueiro. Mas enquanto espero e sangro, vou adulterando todo meu passado para auxiliar a achar um trabalho de garçom, auxiliar de limpeza, ou seja lá o que possibilitar ter uma vida no mínimo aceitável.

Mas nem tudo é desgraça, o cinema é MUITO CARO, e quando digo MUITO CARO é porque é MUITO CARO. por exemplo uma sessão custa ¢10,50 por pessoa, isso mesmo. DEZ MALDITOS EUROS, mas aonde isso é bom você se pergunta, haaaa meus amigos, a partir do momento que o cinema cria um cartão onde se paga ¢19,99 por mês e você tem acesso ILIMITADO a quantas sessões conseguir assistir por mês. É ou não é uma maravilha? Logo este ser cinéfilo fica muito feliz quando o final do filme é proporcional ao conteúdo apresentado pelo mesmo e não cria falsos caminhos para criar um final “PUXA VIDA”.

Não tenho encontrado muito tempo para publicar as críticas, mas já escrevi algumas. Por acaso vocês já assistiram “Paul”? Novo filme do Simon Pegg, Nick Frost e Seth Rogen com a direção do Gregg Mottola (Adventureland e Superbad), não!!! Que pena, eu já… ;P

Mas, infelizmente, até então não encontrei pessoas cujos gostos fossem similares aos meus (abraço ao querido pessoal da “Fila K” e do “Tot@lmente Cinéfilo”, saudade de vocês) e , mas aqui não é lugar para similaridades e sim das diferenças.

Ok, chega. Já enrolei demais. Vou ali fora caminhar um pouco mais, pois cada vez que ando por esta cidade me apaixono perdidamente por qualquer moça que ande pela rua, como em qualquer lugar aqui tem as suas feias, mas o contingente de mulher bonita é algo surreal (suspiros)…

Tenham todos uma semana digna de seus esforços, que a força esteja sempre com vocês e vida longa e prospera a todos.