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CONTRA O TEMPO (Source Code)

EUA, 2011 – 94 min.

Ficção Cientifica / Ação

Direção: Duncan Jones

Roteiro: Ben Ripley

Elenco: Jake Gyllenhaal, Michelle Monaghan, Vera Farmiga, Jeffrey Wright, Russell Peters

O primeiro filme de Duncan Jones, foi o hipnotizante, drama/sci-fi “Lunar” (2009), contava uma história tensa, muito eficiente e estimulante que evocava inspirações ao aclamado “2001”. Sinalizava a chegada de um artista que valoriza o que foi produzido anteriormente, mas também aponta com clareza seu estilo e visão, pronto para deixar uma distintiva marca no genero. Agora, ele entrega ao público “Contra o Tempo”, uma versão alternativa para a comédia “Feitiço do Tempo”, só que sem as risadas. “Contra o Tempo” representa a sua evolução como diretor, agora que ele conta com um grande elenco e um orçamento mais generoso que o seu primeiro longa. É mais rápido e mais ambicioso.

Dirigido por Duncan Jones a partir de um roteiro inteligentemente construído por Ben Ripley, “Contra o Tempo” não faz o protagonista Jake Gyllenhaal repetir ad infinitum o mesmo dia de maneira semelhante a Bill Murray, não, ele tem de reviver um determinado período de oito minutos. Não é porque ele quer, mas porque, um grande número de vidas inocentes depende disso.

Com uma sinuosa, alucinante trama que freqüentemente muda de direção e ocasionalmente sua relatividade, “Contra o Tempo” não iria funcionar sem um elenco com a determinação e a capacidade de realmente vender sua história. Com Jake Gyllenhaal, Michelle Monaghan, Vera Farmiga e Jeffrey Wright nos papeis principais. Os quatro atores desempenham bem delimitados personagens, sem muita profundidade, mas nem por isso deixa de trazer uma sensação de claustrofobia em uma intrigante corrida contra o tempo (perdoe o trocadi-lo com o título, não foi proposital).

As coisas começam normalmente calmas. Sean (Jake Gyllenhaal) acorda de um cochilo em um trem de Chicago. Sentado em frente a ele está sua amiga, Christina (Michelle Monaghan). Mas há um problema. Sean está desorientado e, mais do que isso, ele está convencido de que ele não é Sean. Seu nome real é Colter Stevens, e ele deveria estar servindo no Afeganistão, e não em um trem comercial com uma mulher atraente enquanto o condutor pede-lhe o seu bilhete. Oito minutos depois, o trem explode e Colter encontra-se preso a um assento, no que parece ser uma cápsula espacial. A tela treme e aparece uma mulher, Goodwin (Vera Farmiga), lhe oferece uma ambígua explicação do que ocorre. Ele é, na verdade, Colter Stevens, mas com o adendo de realidade virtual, ele está sendo inserido no “Source Code” que permite assumir a mente e o corpo de Sean durante os últimos oito minutos de sua vida. Cada vez que ele entra no “source code”, ele se aventura em uma realidade alternativa. Seu objetivo: descobrir quem implantou a bomba no trem, pois há indícios de que o mesmo terrorista pretende explodir outras bombas no meio de Chicago. Além de completar sua missão, Colter decide salvar a vida de Christina e descobrir e por que alguém que deveria estar no Afeganistão, está preso em algo que parece que foi criado para Battlestar Galactica.

Tal como em “Feitiço do Tempo”, o protagonista pode mudar os acontecimentos dentro do prazo estabelecido, de modo que em cada “recomeço” ele fique com mais pistas sobre como desvendar o mistério do “homem-bomba”. Mas a pergunta que paira sobre tudo isto, é se o herói pode evitar a morte dos passageiros, bem como capturar o terrorista. Dr. Rutledge (Jeffrey Wright), insiste que isso não é possível, pois como o “source code” não representa uma viagem no tempo, mas sim na prevenção de possíveis desastres.

Algumas ideias no roteiro de Ben Ripley fundamentalmente falham deixando a lógica de lado (muitas das quais são facilmente identificáveis para quem refletir calmamente e racionalmente considerá-los), “Contra o Tempo” se excede em reivindicar o que poucos filmes costumam fazer. Às vezes, o filme traz algumas situações intrigantes. Em outras ocasiões, torna-as absurda. O final, embora não tão enlouquecedor como a de “A Origem“, oferece um exemplo de looping infinito que confunde a mente e fornece um vislumbre do que se entende por “um número infinito de universos”. Até onde podemos ir ou qual a profundidade da toca do coelho?

O principal, porém, em “Contra o Tempo” é seu mistério. É sobre um homem com um limite de tempo tentando encontrar um suspeito antes que este libere o caos na terceira maior cidade dos Estados Unidos. Para enriquecer, há questões secundárias, em torno Sean/Colter sobre a sua verdadeira identidade e as circunstâncias que levaram ao seu envolvimento no projeto do “source code”. As coisas não são como parecem.

“Contra o Tempo” é bem acelerado e enérgico, é improvável que entedie alguém. Ele não precisa compreender plenamente todos os seus elementos excenciais da ficção científica de forma ordenada para que se possa apreciar o desenvolver da trama. Jake Gyllenhaal é  sólido e constante como Colter, ele fornece uma âncora estável e afável, bem como um “ponto de referência” para o telespectador. Quando as coisas começam, ele está tão confuso quanto nós e as explicações que lhe são fornecidas ajudam em nossa compreensão. Vera Farmiga, como oficial que conduz o experimento, constrói com eficiência o caminho de um soldado frio e determinado trilhando para o lado humano e Jeffrey Wright como o cientista por trás do ambicioso projeto cria um retrato detalhado de uma alma distorcida. Enquanto isso, Michelle Monaghan, como uma das vítimas inocentes da tragédia, é linda e vívida. A noção de um homem apaixonar-se pela sombra de uma mulher morta é um motivo familiar na arte. Não é menos potente ao agradar a multidão.

Duncan Jones tocou em alguns desses temas – as manipulações da ciência e do poder e da persistência de emoção – em seu primeiro longa, “Lunar”. Aqui, ele alcança uma estranha amálgama, um filme de ação emocionante que também funciona como poesia.

Em contraponto, a edição pode soar como uma versão do inferno para aqueles que procuram uma clara linha de raciocínio de um enredo linear (devido a sua necessidade de repetições). E este é talvez o principal desafio de Duncan Jones: como retratar o mesmo período de tempo de 8 minutos várias vezes sem entediar a sua audiência. Ao variar o ritmo e modificando as ações e reações de caráter, ele faz isso em grande parte (em muito da mesma maneira que Harold Ramis fez em “Feitiço do Tempo”), mas há momentos em que a necessidade do contato familiar dentro deste esquema se tornar complicado. Alguns começarem a esperar pela explosão ao invés de prestar atenção aos detalhes do que está acontecendo em tela.

A trilha composta por Chris Bacon é um pouco insistente e intrusiva, especialmente em comparação com a linda e assustadora trilha de Clint Mansell em “Lunar”, Jones poderia ter sido mais impactante, por vezes com o silêncio.

Em sua superfície, “Contra o Tempo” possui uma forte energia, moderada por um suspende inteligente sobre como corrigir erros e re-examinar o passado. O filme poderia ter um subtexto mais profundo que poderia ser descompactado com algumas visões. Mas eu suspeito que há uma chance igual de que tudo desmoronace. Onde “Lunar”, escrito por Jones, demonstra profundidade, reflexão e talento impressionantes, “Contra o Tempo”, escrito por Ripley é melhor executado e voltado quase diretamente para a ação, e como resultado tem uma forte probabilidade de aceitação geral.

Como uma evocação dos desejos do espírito – e a dolorosa distância entre as simplicidade que as pessoas buscam e a que elas realmente encontram – “Contra o Tempo” é uma expressão verdadeira e eloqüente de um director que apresenta seu ponto de vista e que aos poucos começa a ter seu nome reconhecido pelo grande publico.