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HARRY POTTER E AS RELIQUIAS DA MORTE: PARTE 2 (Harry Potter and the Deathly Hallows: Part 2)

EUA e Reino Unido, 2011 – 130 min.

Direção: David Yates

Roteiro: Steve Kloves, baseado no romance de J.K. Rowling

Elenco: Daniel Radcliffe, Emma Watson, Rupert Grint, Ralph Fiennes, Alan Rickman, Matthew Lewis, Evanna Lynch, Tom Felton, Michael Gambon, Helena Bonham Carter, Warwick Davis, Robbie Coltrane, Maggie Smith, Jim Broadbent, Gemma Jones, Emma Thompson, David Thewlis, Julie Walters, Mark Williams, James Phelps, Oliver Phelps, David Bradley, Geraldine Sommerville, John Hurt, Kelly Macdonald, Jason Isaacs, Helen McCrory, Ciarán Hinds, Bonnie Wright, Gary Oldman.

Nota: Assistir ao filme estando sentado à 8 poltronas de distância do elenco principal e da escritora J.K. Rowling, não tem preço. P.S.: A Emma Watson chorou o filme inteiro.

O momento da despedida é sempre o mais amargo e triste e em Harry Potter e as Reliquias da Morte: Parte 2 não é diferente. Estreava no dia 16 de novembro de 2001 Harry Potter e a Pedra Filosofal (Harry Potter and the Philosopher’s Stone, 2001). Quase 10 anos e sete filmes depois, o dia 15 de julho de 2011 marca o fim da saga de Harry Potter e seus amigos. Enquanto em Harry Potter e as Reliquias da Morte: Parte 1 (Harry Potter and the Deathly Hallows: Part 1, 2010) marcava o começo do fim com uma sensação de amargura e tristeza, Harry Potter e as Reliquias da Morte: Parte 2 (Harry Potter and the Deathly Hallows: Part 2, 2011) nos envolve em uma nota épica, comovente e por que não, maravilhosa.

O inicio de Harry Potter e as Reliquias da Morte: Parte 2 é entregue num completo silêncio, a parte 2 começa exatamente onde a Parte 1 terminou. vemos imagens do Professor Snape (Alan Rickman) observando  do alto de uma torre a escura e cinzenta Hogwarts, até o triste momento em que vemos o túmulo de Dobby “O Elfo Livre” e como uma brisa fria e pesada a sensação de que “Tudo Termina” paira no ar. Parte 2 continua a acompanhar os esforços de Harry Potter (Daniel Radcliffe), Ron (Rupert Grint) e Hermione (Emma Watson) na busca e destruição das horcruxes que fará com que seu arqui-inimigo, Lord Valdemort (Ralph Fiennes), se torne vulnerável. Enquanto isso Lorde Valdemort, depois de conquistado “a varinha mágica para a todos governar”, mobiliza suas tropas numa caçada implacável a Harry Potter afim de impedi-lo de concluir sua caçada.

Aproximadamente a primeira metade de Parte 2 mantêm seu foco pela busca as horcruxes, mas ao contrário da Parte 1, que embora alguns acabaram não gostando devido ao seu desenrolar lento e sem muita objetividade, o ritmo da Parte 2 é fluente se move num tom de urgência. Uma vez que a Batalha de Hogwarts começa, o filme acelera feito uma Firebolt em alta velocidade em direção ao confronto entre Harry e Lord Valdemort.

O roteirista Steve kloves, que adaptou seis dos sete livros (ele se afastou de A Ordem da Fênix para que pudesse começar a trabalhar em O Enigma do Príncipe) e o diretor David Yates, que dirigiu os últimos quatro capítulos, mudaram alguns detalhes da batalha final para deixa-los mais cinematográfico. Em deferência aos livros, eles mantiveram os principais eventos intactos. No entanto, eles fazem da Batalha de Hogwarts ser menos épica se comparada a expansão do livro feita por Peter Jackson na Batalha de Helms Deep em O Senhor dos Anéis: As Duas Torres (The Lord of the Rings: The Two Towers, 2002). A Batalha é mostrada em pedaços mas permanece em grande parte no plano de fundo enquanto a história concentra-se na busca pelas horcruxes. Acontecimentos importantes e mortes de personagens chaves ocorrem fora de tela durante a batalha e só reconhecemos eles através de uma rápida contagem de corpos.

Porém, não fica evidente se adicionar pirotecnia teria deixado o resultado final menos espetacular. Yates demonstra compreender este mundo ao apresentar tomadas brilhantemente inesperadas para um filme desta magnitude e a trilha composta por Alexandre Desplat mais uma vez é grande destaque ao retratar a melancolia e a tristeza de ver a Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts ser destruida pelo embate. Mas derrotar Voldemort não é um evento único, é um processo e com Harry Potter, como acontece com muitas histórias épicas de fantasia, a viagem é muito mais importante e interessante que o destino. É quase impossível atender às expectativas. Mas o que importa é que David Yates e Steve Kloves contaram a história com clareza e amarrando todas as pontas, culminando no conflito que durou uma década.

A Saga Harry Potter tem ficado com tons mais escuros, tanto no visual quanto na temática desde Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban (Harry Potter and the Prisioner of Azkaban, 2004), onde começou sua transição de material infanto juvenil em algo mais substantivo e maduro. A fotografia de Eduardo Serra que deu continuidade ao seu trabalho, é mais uma vez ricamente sombria e de uma beleza sinistra. Aqui, Hogwarts não é mais aquele lugar quente, movimentado e cheio de possibilidades, mas sim uma fortaleza temível e gélida com os Comensais da Morte observando atentamente cada aluno, e onde o Professor Snape dita as regras como se liderando seu próprio regime fascista.

Mas há algo que não estão devidamente encaixadas. Em outras palavras este é um filme onde o visual, com grande ênfase nos efeitos especiais. A escuridão é necessária para estabelecer o tom. e a decisão de fazer uma conversão em 3-D é sem dúvida a pior escolha em dez anos de Harry Potter no cinema. O 3-D não é apenas desnecessário, é superficial e serve apenas para prejudicar a experiência em geral. O 3-D não funciona em filmes escuros, reduzindo muito a definição de algumas imagens. Assistir em 2-D é o mais aconselhável, até por ter sido o modo como David Yates filmou.

Reliquias da Morte: Parte 2 alcança uma nota quase impossível se tratando de um mundo fantástico, permitindo que Harry Potter saia de cena deixando uma sensação de dever cumprido. Os fás discutirão qual o melhor filme da saga, mas fica evidente que Reliquias da Morte: Parte 2 estará facilmente no Top 3 de muitos devido ao seu ritmo e seu entretenimento de tirar o fôlego. Durante dez anos acompanhamos o crescimento tanto físico quanto de atuação do trio de protagonistas e neste capítulo final eles oferecem algumas das performances mais solidas. Daniel Radcliffe, o menino ingênuo e de sorriso fácil de A Pedra Filosofal, tornou-se um homem bravo e heróico. Emma Watson perdeu sua expressão de madeira e se lapidou em uma linda mulher, assim como no filme anterior ela está mais emocionante e atenta do que em qualquer filme anterior. E Rupert Grint evoluiu de um palhaço para uma figura valente e carismática.

Outros personagens se desenvolveram e cresceram seu caráter de forma brilhante como o desajeitado Neville Longbottom (Matthew Lewis) se torna um personagem simpático e heróico. Mas Helena Bonham Carter como a louca gótica Bellatrix Lestrange se destaca em um momento neste filme. Hermione, usando a poção polisuco, toma a forma de Bellatrix, o que vemos é o corpo de Boham Carter com a voz de Watson. Ao ver Bonham Carter representar os ímpios e costumes de Hermione é uma maravilhosa demonstração de atuação; cujo qual eu quase acreditei que estava olhando para uma versão digital de Emma Watson. Alan Rickman, como o sinistro diretor de Hogwarts merece um prêmio por sua interpretação como Servero Snape, ele está simplesmente maravilhoso e emocionante, assim como a carismática Meggie Smith.

Então chegou a hora. A hora de dizer até logo. Até logo ao Sr. Potter, cujas aventuras tornaram-se uma maneira confortável e agradável de marcar a passagem dos anos. Assim como Harry Potter, muitos de seus espectadores mais devotos cresceram junto com a série e o lançamento de As Reliquias da Morte: Parte 2 é a causa para uma justaposição de alegria e tristeza. Alegria que a história foi contada em sua totalidade, a tristeza é que não haverá mais outro capitulo. O epilogo, cuidadosamente adaptado, com os personagens supostamente na meia idade. Não aparentam 19 anos mais velhos, mas sim apenas algum tempo depois, no entanto, o publico pode relevar isso sem maiores problemas. Mas fornece também uma nota de encorajamento que um projeto desta magnitude merece.

É sempre difícil dizer adeus para aquilo que gostamos, sempre fica um sabor amargo na garganta olhar para frente e ver que acabou. Mas felizmente os livros e os filmes têm uma vantagem singular sobre a vida real: A despedida nunca dura para sempre, e aqueles que não estão prontos para deixar a série ir embora podem sempre voltar ao inicio, eu muito certamente irei revisitar inúmeras vezes os livros e os filmes de Harry Potter, e quem sabe ler e acompanhar junto com o meu filho(a) (isso se um dia eu tiver um), e reparar se a magia que me cativou acompanhará ele.

Se despedir ao ver o Expresso de Hogwarts partindo da plataforma 9 3/4 pela última vez pode ser triste, mas lembrar dos bons momentos faz com que toda a experiência tenha valido a pena.