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Estive a tarde pensando em escrever sobre algo, mas estava com um bloqueio criativo e este bloqueio trouxe uma sensação de impotência, desprazer, indignação e então raiva, eis que lembrei de uma passagem de Osho que uma vez disse que “A raiva é uma loucura temporária”. Essa frase é provavelmente a mais precisa para definir a raiva. Então resolvi falar sobre este sentimento. Eu não gosto quando as pessoas ficam com raiva, tão pouco suporto quando eu fico com raiva. Na minha opinião, a raiva é uma forma de violência. Uma forma de violência que não é punível por nenhuma lei, a menos que ela se exponha. Eu tenho visto muitas pessoas ficarem com raiva por inúmeras razões, desde as mais triviais às mais cruciais. Para alguns, a ira funciona como um escudo. Que os protegem de ficarem expostos quando desafiados. A raiva funciona como um substituto pobre para a lógica e a razão.

Alguns ficam com raiva quando as coisas não saem como o esperado. Nesse caso o que se precisa não é ter raiva e sim achar um novo caminho para mudar o que não deu certo. Ao invés disso, a resposta imediata é na grande maioria das vezes a raiva, as nossas mentes não estão devidamente preparadas para aceitar e imediatamente tomar novas decisões. E por conseqüência a vingança. Quando alguém te perturba ou te desaponta, tudo o que você quer fazer imediatamente é mostrar o seu descontentamento através de uma expressão fechada ou palavras ríspidas. Este a meu ver não é o caminho a percorrer para a colaboração, cooperação e resolução do problema. O resultado disso é instaurar um clima tenso e não muito saudável através da negatividade.

Eu tive uma adolescência cuja qual me arrependo amargamente de muitas decisões que tomei muito por não saber conter e exteriorizar a minha raiva. Hoje possuo a opinião de que a raiva não funciona e nunca irá ajudar em nada. Não tem nenhum valor positivo ou utilidade prática. Pode parecer que exterioriza-la ajuda num curto espaço de tempo, mas na verdade não.

Pior ainda é quando as pessoas demonstram ter orgulho sobre a sua raiva. É muito fácil ficar com raiva e permanecer com raiva, ainda mais quando se tem autoridade sobre alguém. Patrões sobre empregados, pais sobre filhos, professores sobre alunos. Se inverter os papeis, perceberá que a reciproca pode se expandir e piorar. Quando alguém está com raiva, a razão some, pensar se torna difícil e achar a solução para situações é como tentar sair de um labirinto estando no meio dele. A raiva acaba se tornando um substituto pobre para quando você é incapaz de pensar, encontrar lógica ou razão, é o sinal mais claro de como o ser humano não evoluiu o suficiente se igualando aos primatas.

Na minha opinião, as pessoas ficam com raiva do próximo por (1) seus próprios erros, incapacidade e/ou impotência, (2) criar incorretas ou injustas expectativas sobre as pessoas, (3) sobre seus próprios transtornos e decepções (4) quando se deparam com a verdade. Em outras palavras, temos apenas a nós mesmos para culpar por nossas raivas. Se eu disser que nunca fiquei com raiva por algo ou alguém estarei fazendo uma declaração absurda e cometendo a maior das injurias pois como já mostrei aqui e aqui, há inúmeras razões que me fazem perder a razão e o discernimento, mas o quanto ficar ou não com raiva é nada mais que uma escolha pessoal. Eu escolho sempre a opção que muitas vezes desagrada as pessoas, não faço nada ou quando o faço, faço pouco.

Como puderam perceber, eu fico irritado por inúmeras razões, mas procuro nunca deixar a minha loucura se exteriorizar, pois por vezes eu vi o que eu fazia e no final o resultado nunca era o mais prazeroso, hoje tenho vergonha e sempre que fico com raiva procuro respirar e “negociar” esta raiva internamente de forma que isso me faça amadurecer tanto como pessoa quanto ser humano. Isso é algo pessoal e foi a forma que encontrei para relaxar. Cada um é capaz de encontrar uma forma de “liberar” esta raiva, mas gostaria que muitos não exteriorizassem os seus desprazeres no próximo, pois no final a máxima “violência gera violência” não é apenas uma sentença mas sim uma realidade.