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Por vezes tenho a leve e discreta impressão de que a vida está na minha frente, passando como um trailer de filme que eu já assisti, me obrigando a relembrar dos melhores e piores momentos, sendo que estes momentos podem estar ocorrendo agora e eu estou apenas assistindo.

Assistindo e sentindo como se fosse uma seleção de momentos importantes, me embriagando de emoção e nostalgia. Sentindo saudades de um tempo tão atual que eu imaginava ter apagado da minha memória. Isso me da saudade de tanta coisa. Mas vejo apenas uma sequência de imagens, uma sucedendo a outra de forma homogênea, risos, charmes, sorrisos acanhados e uma imensa gama de reclamações. E então percebo o quão covarde eu fui por não me permitir puxar o freio em muitas situações.

Existe aqueles que choram de solidão alguns anos e riem até a velhice na solitude. Há quem ria por solitude e chore depois de solidão. Escolhas, nossas vidas são uma sucessão de escolhas que fazemos no momento em que nascemos até o momento em que somos levados pela morte. Escolhas, traiçoeiras, prazerosas, erradas, certas, tanto faz, no final são escolhas.

Fazer-se rir para se enganar de ser feliz. Fingir ser triste para ocultar a alegria. Há quem dome o riso para esconder a alegria pelo próximo, belo fracasso, há quem chore falsas lagrimas para manipular terceiros.

Enquanto a maioria faz escolhas erradas a minoria vive para dar chance ao acerto. Acho que esta pequena parcela dos que se sobressaem ao erro que amarguram o mundo. Se todos nós morrêssemos sem conhecer o certo e o errado não existiria o martírio e talvez a utópica “paz interior” fosse alcançada mais facilmente. Deveríamos nunca evoluir e sermos eternos burros, pois assim nunca saberíamos o quanto fomos burros em nossas escolhas.

Nunca estamos satisfeitos. Se chove, reclamamos das enchentes. Se faz sol nos irritamos com a seca. Temos medo de assumir para nós o que é realmente felicidade e isso acontece porque vivemos sempre competindo.

Tentamos sempre ultrapassar o outro, e isso nos cega a pondo de não olharmos para o lado e vermos o que está acontecendo ao nosso redor, de não conseguirmos reconhecer o quanto estamos bem, e estamos felizes. Então, só quando vem a tristeza que reparamos e nos lamentamos do quão feliz nós éramos e não sabíamos.

Escrevo no plural porque o mundo age assim. Muitos podem pensar que pensam como um único indivíduo, mas no final fazemos todos parte de um grande cardume. Não quero me explicar muito, acho que já o fiz em demasia. Se o fizesse seria apenas para abastecer o meu ego, mas como nunca nos contentamos com o suficiente, assistimos a nossa vida passar esperando que quando os créditos finais aparecerem na tela tenhamos a certeza de que ela teve um final feliz.