[Filme] Star Trek: Além da Escuridão, 2013

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STAR TREK ALÉM DA ESCURIDÃO (Star Trek Into Darkness)

EUA, 2013

Direção: J.J. Abrams

Roteiro: Roberto Orci, Alex Kutzman, Damon Lindelof

Elenco: Chris Pine, Zachary Quinto, Zoe Saldana, Karl Urban, Alice Eve, Peter Weller.

Star Trek: Além da Escuridão

Começo talvez de um modo errado, comparando. Mas tem um motivo, Star Trek Além da Escuridão (Star Trek Into Darkness, 2013) faz tudo o que Homem de Ferro 3 (Iron-Man 3, 2013) tentou: colocou um ambiente hostil envolvendo atos terroristas, um entretenimento pipoca com estilo mas um pouco longe de um Batman – O Cavaleiro das Trevas (The Dark Knight, 2007). J.J. Abrams mostra como reformular uma linha temporal e alterar um universo canônico sem o risco de estragar a experiência para novos e “velhos” Trekers.

Tal qual o filme de 2009, Star Trek Além da Escuridão não se prende ao estilo de um “filme Star Trek”, pelo menos não quando toma como base as produções clássicas. A orientação é clara, blockbuster, ação, aventura e diversão, mas se comprometendo a entregar uma história interessante e uma trama envolvente. As batalhas espaciais se desdobram com rapidez ao invés do suspense gradual. Obviamente que as interações entre os novos personagens ainda se sintam vagas se lembrarmos do legado criado pelo núcleo de Shatner / Nimoy / Kelley. No entanto, Chris Pine, Zachary Quinto e Karl Urban são bons o suficiente para nos fazer crer em suas motivações e camaradagens. Kirk (Chris Pine) tem a arrogância, olhares e o heroísmo que combinam com Shatner. Quinto encontra o equilíbrio entre lógica e emoção que Nimoy domina. E Urban oferece um eco quase perfeito de humor sardônico além do humanismo caipira de Kelley.

Enterprise

O filme começa em um curto período de tempo após a conclusão de Star Trek. Kirk e sua equipe estão tentando salvar uma sociedade primitiva de um vulcão em erupção. No processo, Spock (Zachary Quinto) fica preso dentro do vulcão e Kirk decide violar a “Primeira Diretriz” da Federação para salvá-lo. Isto resulta na devolução da Enterprise ao almirante Christopher Pike (Bruce Greenwood) e Kirk sendo rebaixado Primeiro Oficial. No entanto, com isso acontecendo, um ex-oficial da Frota Estelar, o Comandante John Harrison (Benedict Cumberbatch), declara guerra contra a Federação. Ele detona uma bomba em Londres, fazendo o almirante Marcus (Peter Weller) ordenar caça ao terrorista.

Rápido e envolvente como bem convém a um blockbuster, o filme entretanto possui alguns furos de roteiro se comparado ao Star Trek de 2009, mas nada que comprometa o envolvimento. O filme tem a oportunidade de fazer o que o Star Trek clássico sempre fazia, usar um cenário futurista para comentar questões contemporâneas – neste caso, o terrorismo e a política de fabricar uma guerra para eliminar uma ameaça. Se há uma falha é o anticlímax do final. Depois de uma jornada épica, com mundos distantes, batalhas espaciais e reviravoltas, tudo se resume a uma briga.

Spok (Zachary Quinto) & Kirk (Chris Pine)

Cumberbatch faz um excelente trabalho retratando Harrison como mais do que um vilão unidimensional. Ele traz muito mais profundidade do que o personagem merece. O núcleo que move Star Trek sempre foi a relação conflituosa entre Kirk e Spock. Eles podem ser vistos como os amantes não correspondidos, uma visão divisória na eterna luta entre Vulcans e humanos, razão e instinto, mente e coração.

Abrams mostra que a conexão entre esses dois homens é crucial, e as cenas entre Quinto e Pine alternam entre afeto e ressentimento, o que torna inexplicável o tempo gasto em um romance sem profundidade entre Spock e Uhura (Zoe Saldana). Ambos os atores são atraentes, mas o amor de um pelo outro (e inveja vagamente implícita de Kirk) nunca deixou de parecer um artifício de roteiro. A atenção dada ao triângulo amoroso Spock, Kirk, Uhura também reduz o tempo de visitarmos o resto da simpática tripulação, especialmente o lacônico Dr. Leonard “Bones” McCoy, que está ausente durante grandes eventos dramáticos (praticamente tudo do filme).

A trilha composta por Michael Giacchino lembra muito o trabalho que ele fez no filme de 2009. Ele espera até o fim para usar o tema Alexander Courage, mas, quando ele emprega, faz isso com prazer. De tempos em tempos, ele também ecoa (sem copiar diretamente) algumas das composições de Jerry Goldsmith.

Em termos de comparação, J.J. Abrams queria que Star Trek Além da Escuridão fosse o seu Batman – O Cavaleiro das Trevas. Ao estabelecer esta meta ambiciosa, ele se obrigou a tomar algumas medidas ousadas, mas para todo o suspense, ação e efeitos especiais, o filme não alcança o grau mestre do entretenimento. É um blockbuster muito gratificante, mas não é uma obra-prima que redefinirá o gênero. É difícil imaginar muitos obstinados fãs de Star Trek colocando Star Trek Além da Escuridão à frente de Star Trek: A Ira de Khan (Star Trek II: The Wrath of Khan, 1982) em seus “best of”. No entanto, este é suficientemente empolgante e divertido para agradar a maioria dos cinéfilos mesmo se eles se confessarem, ou não, fãs de Star Trek. Star Trek Além da Escuridão mostra-se pronto para continuar uma vida longa e próspera, mas um pouco distante de alcançar lugares onde o homem jamais esteve.

[A Vida do Homúnculo] As Dificuldades e as Escolhas.

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Inevitavelmente este dia chegará e eu irei morrer, e aceitar este fato, me faz questionar o quão importantes e grandes são as escolhas que eu faço.

A vida como um repertório de possibilidades ela é infinita, exuberante e pode-se ser superior a tudo que já se foi e se é compreendido. Logo, um gerador de probabilidade infinita se faz presente dentro de nós e entender estas opções e escolher a forma como guiaremos as circunstancias da vida, se escolher por legados ou ideias tradicionais, opta-se por tanto, convencionar que a vida ocorre não por escolhas, mas sim guiada pelo destino.

O fato de poder escolher ser aquilo que queremos, não impede de todo nosso orgulho, medos, embaraços, fracassos e vitórias fracassar perante uma cova ou uma urna, permanecendo única e exclusivamente aquilo que nos torna seres imortais, as memórias e as decisões que tomamos ou deixamos de tomar.

A vida, que é antes de tudo o que se pode ser, é saber decidir sobre as possibilidades o que em efeito vamos ser futuramente. Circunstâncias e decisões são os elementos que norteiam nossas vidas. As circunstancias são as imposições ou possibilidades que nos são apresentadas por nossas escolhas. Podemos escolher os caminhos pelos quais queremos caminhar e trilhar. A vida como um conjunto, não elege vencedores e perdedores, pode-se acreditar na sorte de não se ter nascido num país em dificuldades ou o azar de que o mesmo tenha acontecido, mas essa não é a escolha pessoal e sim uma condição a qual se nasceu. Este balanço de sorte/azar não é por nós feita, mas sim condicionada. O pesar de nascermos, independente do local e dos eventos que nos afligem, consiste em impomo-nos uma trajetória e através desta algo que nos faça tomar a decisão que achamos mais acertada. Viver, consequentemente, resume-se em exercitar a liberdade e decidir-mos por nós aquilo que desejamos e queremos neste mundo. Já nascemos decididos, mesmo nus vamos em direção da luz, sem muito a escolher apanhamos (levemente) na bunda e consequentemente choramos.

A existência é o que escolhemos, as tarefas que nos submetemos, às exigências do dia-a-dia e entender essa diluição nos fins como via para o auto-esquecimento, e, portanto, como negligência e culpa, além disso, tomar a sério a experiência do convívio com os outros seres: a alegria e a ofensa, o êxito e o revés, a obscuridade e a confusão. O poder das decisões não é esquecer, é assimilar, não é desviar-se, é recriar intimamente, não é julgar tudo resolvido, é clarificar.

Portanto, acredite ou não em destino, ele no final se resume na sua capacidade de decidir, mas esta capacidade inerente do ser humano só cabe ao que compreende ao que se escuta no coração, se reflete na mente e age-se com o corpo sem medo ou receios.

[A Vida do Homúnculo] “Free Talk”

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“Free Talk” ou “Estou aqui para ouvir a sua história e não tomar o seu tempo.”

Hoje tomei uma atitude um tanto quanto assustadora para a minha pessoa. Tentar conhecer e conversar com pessoas que nunca vi antes.

Esta intenção eu tive semana passada durante um sonho. A ideia é simples, nos meus dias de folga eu vou para um parque, escolho um lugar confortável e de preferencia que fique “exposto” ao público, sento leio, medito ou não faço nada, apenas fico ali sentado aproveitando o dia. Na minha frente coloco uma placa com os dizeres: “Free Talk”

Free Talk

Acredite, se apresentar as minhas teses foram difíceis, até então este foi o maior desafio que já enfrentei, tenho muita vergonha de me expor, o que o diga falar com pessoas que não conheço ou nunca vi antes. Mas se parar para pensar muitas pessoas que hoje eu considero amigos já foram estranhos, então por que tanto receio?

No entanto hoje não foi o dia que eu conversei com alguém, fiquei durante uma hora e meia lendo e prestando atenção se alguma pessoa se interessava, duas pessoas acharam interessante, mas como estavam só de passagem não podiam ficar para conversar, mas ao menos recebi um elogio pela minha atitude.

Pretendo dar continuidade a este “projeto” e conforme eu for “entrevistando” mais pessoas postarei as histórias delas aqui, mantendo, obviamente, seus nomes e figuras anônimas.

Para uma primeira tentativa vencer o medo de me expor perante o público já é um grande passo.