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Haaaa o amor!

NOVA YORK, EU TE AMO (New York, I Love You)

EUA, França, 2009 – 110 min

Comédia / Drama / Romance

Direção: Allen Hughes, Brett Ratner, Fatih Akin, Jiang Wen, Joshua Marston, Mira Nair, Natalie Portman, Randall Balsmeyer, Shekhar Kapur, Shunji Iwai, Yvan Attal

Roteiro: Emmanuel Benbihy (conceito); Tristan Carné, Hall Powell, Israel Horovitz, James C. Strouse, Shunji Iwai, Israel Horovitz, Hu Hong, Yao Meng, Israel Horovitz, Scarlett Johansson, Joshua Marston, Alexandra Cassavetes, Stephen Winter, Jeff Nathanson, Anthony Minghella, Natalie Portman, Fatih Akin, Yvan Attal, Olivier Lécot, Suketu Mehta

Elenco: Emilie Ohana, Andy Garcia, Hayden Christensen, Bradley Cooper, Rachel Bilson, Natalie Portman, Orlando Bloom, Christina Ricci, Anton Yelchin, Olivia Thirlby, Drea de Matteo, James Caan, Ethan Hawke, Maggie Q, Robin Wright Penn, Chris Cooper, Justin Bartha, Carlos Acosta, John Hurt, Shia LaBeouf, Julie Christie, Eli Wallach, Cloris Leachman, Burt Young, Irrfan Khan, Ugur Yücel, Qi Shu.

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Histórias de amor em minutos, contadas por diferentes vozes, filmadas por diferentes lentes e captadas apenas pelos nossos olhos. Infelizmente ainda não conheço Nova York, mas para conhecê-la antes de amá-la terá de ser por outras lentes.

Em 2006 teve inicio um projeto idealizado por Emmanuel Benbihy chamado: Cidades do Amor. Onde o desafio é para cada diretor filmar o seu segmento em dois dias e editar em uma semana. Cada curta deveria ser filmado em diferentes bairros de Nova York. E cada um deveria trazer algum encontro relacionado ao amor.

Mas se o amor que essas histórias tentam relatar for amor me parece um amor claustrofóbico (alguns preferem lugares fechados a explorar os ambientes ao ar livre da grande maçã) e pálido demais, salvos alguns seguimentos.

O amor aqui revelado é um amor surpresa onde que mostra que a todo o momento tem que ter uma virada para fazer o espectador estar atento, há histórias muito bem feitas com esse fim como as de Brett Ratner (o melhor segmento para mim), Natalie Portman e Ivan Attal, mas infelizmente segmentos simples e belos como o do velinhos vividos por Elli Wallach e Cloris Leachman são poucos e quando aparecem são rasos e sem profundidade como o protagonizado por Natalie Portman e Irrfan Khan, onde ela prestes a se casar com um judeu discute o valor de uma joia com um indiano dono de uma joalheria quando eventualmente abordam a diferença nas castas religiosas de cada pessoa, mas mesmo assim soa forçado encontrar uma improvável admiração entre ambos.

Assim como a surpresa é a tônica, os eventos ocorrem ao acaso como o segmento filmado por Jiang Wen em Chinatown onde tem inicio um duelo de punguistas vividos por Andy Garcia e Hayden Christensen. Dois machos alpha disputando o amor de Rachel Bilson (namorada de Christensen em Jumper) ou a divertida história de um escritor (Ethan Hawke) que ao flertar com uma mulher (Meggie Q) revelando detalhadamente o que iria fazer com ela na cama até a interrupção dela para uma revelação.

Mas temos histórias boas como à contada por Brett Ratner, sobre um estudante vivido por Anton Yelchin (Star Trek) sem par para o baile de formatura da ao acaso de entrar em uma farmácia e ser recepcionado por James Caan que oferece sua linda filha (Olivia Thirlby) para acompanhá-lo ao baile se não fosse para a surpresa dele ela estar numa cadeira de rodas. E a partir daí nada é o que parece ser as coisas não acontecem de forma previsível e é por isso da beleza do resultado. Ou a tão esperada estréia de Natalie Portman na direção dirigindo uma história simples, mas com muita sutileza e delicadeza.

Tudo parece tolerável em pequenas doses e cada história tem seu valo por si, mas uma vez que as peças estão “costuradas/unidas”, torna de Nova York uma maçã dissecada e sem muito nexo. Mas como estamos falando de Nova York, onde está a diversidade étnica? O transbordamento cultural? A sujeira, o caos, os quarteirões apertados, as pessoas que se parecem conosco? Para conhecer a verdadeira Nova York, você terá que recorrer ao seu acervo de vídeo, onde se encontram Allen, Lumet, Scorsese e outros. Este esforço prova que um diretor precisa entender a cidade antes para que ele ou ela possa alegar que a ama.